Olhar a cruz

 

"Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim também será levantado o Filho do Homem, a fim de que todo o que nele crer tenha vida eterna". – João 3,14

Seria bom que, num esforço de imaginação, tentemos ver os israelitas mordidos por serpentes venenosas, olhando para a serpente de bronze que Moisés levantava diante deles (Nm 21,4-9; Sb 16,5-7). Ficaríamos assombrados com a expressão de esperança em seus olhos, o ardente desejo de cura, os gestos vivos de humildade e de adoração. Afinal, aquilo não era mais que uma figura profética de Cristo crucificado, levantado ao alto, para que todo o que “nele crer tenha a vida eterna".

Precisamos reviver, na fé e na esperança, a capacidade de assombro para ver na cruz a força salvadora que curava todos os "mordidos" do deserto. Nossas próprias mordeduras perderiam seu veneno.

Há um cruzar de olhares que é preciso buscar. Olhar a cruz como os israelitas olhavam a serpente de bronze no deserto significa encontrar-se com o olhar de Jesus. E encontrar-se com o olhar de Jesus é encontrar-se com o foco maior da bondade de Deus: "rico em misericórdia". "Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho Unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna".

Deus não guardou nada para si. Entregou-se totalmente para impedir que morrêssemos entregues a insensatez do pecado e mostrar-nos o mais profundo de nossa própria dignidade.

Seria bom buscar nestes dias este cruzar de olhares. Talvez o Espírito ilumine nosso coração e uma nova descoberta do Deus que nos ama – até o ponto de fazer-se homem e morrer pelo homem – impulsione-nos a seguir caminhando até a Jerusalém definitiva.