Pentecostes contínuo
Todos na Igreja estão chamados a estar na corrente da graça de um Pentecostes contínuo, chave para o anúncio profético de Cristo. E expressão desse Pentecostes contínuo é o batismo no Espírito, “aquele que distingue toda a pessoa e obra de Cristo” - o padre Raniero Cantalamessa
A Carta aos Hebreus diz que Deus nos “falou por meio do Filho” (Hb 1, 1-3) dividindo a história em duas partes: quando Deus falou através dos profetas e o tempo em que Deus fala através do Filho. E a passagem entre um tempo e o outro é João Batista, “mais que um profeta” porque anuncia Cristo presente. Figura precursora do Messias, no Novo Testamento, o Batista é a melhor evidência da novidade de Cristo.
Entre a missão de João o Batista e a de Jesus ocorreu algo decisivo, tal que constitui uma divisória entre duas épocas. “O centro de gravidade da história se deslocou: o mais importante já não está em um futuro mais ou menos iminente, mas está ‘aqui e agora’, no reino que está já operante na pessoa de Cristo”. - idem
E é esta a “nova profecia” que inaugurou João Batista: consiste em revelar a presença escondida de Cristo no mundo, sacudindo sua indiferença. Mas para dar testemunho de Jesus se requer espírito de profecia.
“Existe este espírito de profecia na Igreja? Ele é cultivado? Alentado? Ou se crê, tacitamente, que se pode prescindir dele, apontando mais para meios e recursos humanos? Urge esta profecia, que tenha profetas de Deus, ainda pequenos ou desconhecidos, mas com fogo no coração, palavra nos lábios, profecia no olhar, que é o que define o ‘perene Pentecostes’ que a Igreja precisa – Paulo VI
A comparação entre o Batista e Jesus se cristaliza no Novo Testamento na comparação entre o batismo de água e o batismo do Espírito. Jesus batiza no Espírito Santo no sentido de que recebe e dá o Espírito sem medida, infunde seu Espírito Santo sobre toda a humanidade redimida.
De fato, a expressão batizar no Espírito define a obra essencial do Messias (comentário da BJ a Jo 1,33) e, aplicando isso à vida e ao tempo da Igreja, devemos concluir que Jesus, ressuscitado não batiza no Espírito Santo unicamente no sacramento do batismo, mas, “de maneira distinta, também em outros momentos: na Eucaristia, na escuta da Palavra e, em geral, em todos os meios da graça”. - Padre Raniero Cantalamessa
Através do batismo do Espírito se tem experiência da unção do Espírito Santo na oração; no seu poder na missão manifestando seus carismas; de seu consolo nas tribulações e provações; de seu discernimento nas decisões; da reforma nossa vida interior; no desejo do louvor; no sabor das Escrituras. Abre a mente à compreensão da Palavra, nos leva a proclamar Jesus “Senhor” e dá a coragem de assumir tarefas novas e difíceis, no serviço de Deus e do próximo.
Todos nós estamos chamados a não permanecer fora desta “corrente da graça” que atravessa a Igreja do pós-Concílio. E a chave para isso é a ação do Espírito Santo porque é a graça feita Pessoa.

