DÉCIMA SEXTA SEMANA: A MANEIRA DE PROCEDER DE JESUS

 

DE QUE SE TRATA?

 “... Estando neste hospital, aconteceu-lhe muitas vezes, em dia claro, ver alguma coisa

no ar junto dele: dava-lhe muita consolação, porque era sobremaneira formosa. Não distinguia bem o que era, mas de algum modo lhe parecia ter forma de serpente, com muitos pontos resplandecentes, que semelhavam olhos, mas não eram. Ele se deleitava e consolava muito, vendo tal objeto: quanto mais olhava, tanto mais crescia a consolação. Mas quando a visão desaparecia, se desagradava dela.

Até este tempo sempre perseverava quase num mesmo estado interior, com igualdade grande de alegria, sem ter conhecimento algum de problemas interiores espirituais. Nesses dias em que durava aquela visão, ou um pouco antes de começar, pois ela durou muitos dias, veio-lhe um pensamento aborrecido que o molestou. Representava-se lhe a dificuldade de sua vida, como se lhe dissessem dentro da alma: “como poderás sofrer tal vida nos setenta anos que hás de viver?” Mas a isto respondeu também interiormente com grande energia, sentindo que vinha do inimigo: “à miserável! podes-me tu prometer uma hora de vida”? Assim venceu a tentação e ficou quieto.

Esta foi a primeira tentação que lhe veio, depois do acima dito. isto sucedeu ao entrar numa igreja, em que ouvia cada dia a missa maior, Vésperas e Completas, tudo cantado: sentia nisso grande consolação. Ordinariamente lia na missa a paixão, procedendo sempre em sua igualdade.

Mas logo depois dessa tentação, começou a sofrer grandes variedades em sua alma: achava-se umas vezes tão desabrido, que não sentia gosto em rezar, nem ouvir missa, nem em outra alguma oração. Outras vezes, ao contrário sucedia-lhe tudo às avessas e tão subitamente, que parecia lhe tiravam a tristeza e desolação, como quem tira a capa dos ombros de um homem. então começou a espantar-se destas variações que nunca experimentara antes. E dizia consigo: “que nova vida, esta que agora começamos?” (Santo Inácio de Loyola, Autobiografia 19-21)

“...Depois que isto durou um bom espaço de tempo, se foi fincar de joelhos diante de uma cruz que estava ali perto, a dar graças a Deus: ali lhe apareceu aquela visão que muitas vezes se lhe apresentava e nunca descobrira, a saber, aquele objeto que acima se disse, que lhe parecia muito formoso, com muitos olhos. mas bem viu, estando diante da cruz, que aquilo não tinha a cor tão formosa como costumava. teve então um claro conhecimento, com grande assentimento da vontade, que isso era o demônio. Depois muitas vezes e por muito tempo lhe costumava aparecer, mas ele é a modo de menosprezo, o expulsava com um bordão que costumava trazer na mão”.(Santo Inácio de Loyola, Autobiografia 31)

QUE GRAÇA PEÇO?

Com Inácio, peço a Deus que me faça participar da graça de reconhecer os enganos de Satanás e defender-me deles. Também peço um verdadeiro conhecimento de Cristo, meu Senhor, e um bom olfato para discernir seu caminho.

MATÉRIA PARA ORAÇÃO:

Ef 6, 10-20 – O combate espiritual.

As duas bandeiras: A finalidade desta meditação é obter o conhecimento das estratégias de Jesus e de Satanás, para poder discernir mais acertadamente os espíritos que experimento. Satanás me tenta menos em minhas debilidades e mais em minha fortaleza.

Gal 5, 16-25 – Peço para sentir o que significa estar com e sem espírito.

A QUE ESTAR ATENTO NA VIDA DIÁRIA?

Onde noto as moções sutis que me querem desviar do caminho de Jesus?

NOTA

De agora em diante é importante, na segunda etapa dos Exercícios, nas contemplações da vida pública de Jesus, dirigir a atenção à graça que se quer pedir e ao diálogo da oração.